Faleceu o padre João Pires de Campos
O padre João Pires de Campos faleceu em Penha Garcia, no passado dia 13 de Junho, com 86 anos. Era uma pessoa muito estimada, não só em Penha Garcia, de onde era natural, mas também, em todos os locais por onde passou e deixou a sua marca. D. José Alves, Arcebispo de Évora e anterior Bispo da Diocese de Portalegre e Castelo Branco presidiu às cerimónias das suas exéquias, realçando para além da figura do padre, o grande vulto da cultura. D. José Alves era amigo do Padre João e, enquanto Bispo da Diocese, costumava visitá-lo assiduamente, em Penha Garcia.
João Pires de Campos nasceu em Penha Garcia a 8 de Novembro de 1922 e, como destacou António Silveira Catana, no final da Eucaristia, “seria longo o tempo necessário para nos referirmos à actividade sacerdotal, cultural e de professor do Senhor Padre João, como muito carinhosamente era tratado pelo povo do seu torrão natal e que ele há muito apelidara de aldeia presépio”. Foi das palavras deste historiador que respigamos algumas passagens da vida do Padre João.
Em 2 de Outubro de 1940, iniciou os estudos no Seminário de Vila Viçosa da Arquidiocese de Évora. Em Outubro de 1943, transitara para o Seminário Maior de Évora, onde prosseguiu os Estudos de Humanidades e começou o Curso Superior de Teologia. Foi ordenado Presbítero, na Sé de Évora, em 29 Junho de 1951, pelo então Arcebispo, D. Manuel Mendes da Conceição Santos. Celebrou a sua Missa Nova, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Penha Garcia, a 8 de Julho do mesmo ano. E foi também neste templo que se celebraram as Bodas de Ouro do seu sacerdócio, um “dia, que lhe encheu a alma e que ficou memorável no seu coração, porque sempre que se referia à homenagem do povo da sua terra nas suas Bodas de Ouro sacerdotais os seus olhos brilhavam e a sua voz espelhava emoção”, destacou António Catana.
Depois da sua ordenação, foi Pároco interino, em Portel, Torrão e São Romão do Sado. De 1952 a 1969, foi Pároco de Samora Correia e Presidente da Fundação Padre Pedro Tobias onde fundou a Escola Infantil, Escola de Dactilografia e a Casa do Trabalho. Construiu um novo edifício para creche e outro para cinema e um bairro de 50 moradias. Foi ainda Arcipreste em Benavente e Coruche, membro do Conselho Presbiteral e Coordenador da Pastoral da Vigararia de Benavente – Coruche. Mais tarde, para além de Arquivista da Cúria Diocesana de Évora, foi Vice-Presidente da Comissão de Arte Sacra e Vogal da Secção de História, Vice-Presidente da Comissão de História da Arquidiocese de Évora e Bibliotecário do Instituto Superior de Teologia da mesma cidade.
O padre João Pires de Campos foi, igualmente, um prestigiado homem de cultura e um dedicado professor. Ao longo da sua carreira docente, desempenhada, em Vila Franca de Xira, Benavente, Penamacor e Évora, participou em mais de uma centena de congressos, seminários, exposições, debates e reflexões, maioritariamente em Portugal, mas também no estrangeiro, nomeadamente em Espanha, Malta e Alemanha. Proferiu, também, inúmeras conferências e orientou vários cursos no domínio da Arte, História, Defesa do Património Cultural, Mariologia e Iconografia Sacra. Foi também membro da Assembleia Geral do Grupo Pró-Évora e da Comissão de Arte e Arqueologia da Câmara Municipal de Évora e Vogal da Junta Nacional de Educação para as Belas Artes. Elaborou as “Normas para a exposição e conservação da Arte Sacra na Arquidiocese de Évora”. Colaborou na Organização de Museus e organizou inúmeras Exposições de índole cultural, de entre as quais se destaca a Exposição Iconográfica e Bibliográfica Mariana, realizada, em 1976, em Monsanto.
Com o pseudónimo de Vasco Fernandes de Guadalupe, o padre João Pires de Campos escreveu um trabalho monográfico, sobre a sua terra natal que intitulou: “Recolhas etnográficas em Penha Garcia – Crenças devocionais – Origens de Penha Garcia” que foi publicado em Separata da “Revista de Portugal – Série A: Língua Portuguesa” – Volume XXX – Lisboa, 1965. Foi colaborador assíduo, em vários jornais nacionais e regionais, aflorando a temática da Arqueologia, da História e da Arte Sacra.
Viajou pelo mundo e por onde passava trazia sempre uma ou mais obras de arte. Recordações, sobretudo, vindas de Espanha. As peças foram-se avolum
PAZ À SUA ALMA.
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